31 de ago de 2010

A BELEZA DE UM VELHO ENXERIDO


Uma das coisas mais lindas do mundo é um velho enxerido.

O enxerimento como uma safadeza que nos mantém crentes na existência.

O enxerimento cortês, o flerte quase inocente, a loa dita para a cabocla que passa, o verso rimado, o mote para a negra, para a mestiça, para a morena, o pé-quebrado para a branquinha cheirando a leite, o acróstico para todas, maneira de esticar a vida, como no enxerimento do meu avô João Patriolino, que deixava vó Meranda, índia de Águas Belas, enrubescida.

O enxerimento lírico de Abelardo da Hora, que grande homem, quase Deus a tirar do barro outras costelas, e que amor à sua própria dama, que magrinho com amor de sobra, que olho aceso feito brasa, que chama, como na sua canção predileta de Capiba, com letra de outro velho enxerido, o farto Ascenso Ferreira.

Andava com certo fastio do mundo quando vi da Hora na tevê, num programa da Globonews, merecida homenagem a um dos nossos maiores escultores, da Hora, 82 anos, mas com uma fome de viver da gota, da Hora com um olhar apaixonado para as mulheres, todas que apareçam à sua frente, da Hora cantando lindamente a repórter, da Hora com olhos marejados por uma existência de solidariedade aos lascados e devoção às fêmeas do universo.

E a vontade de fazer novas coisas desse homem? Meu Deus, dê-lhe uns dois séculos e meio de vida, ele merece, e quando chegar aos 250, meu Deus, dê mais um chorinho, repare como ele é comovente, repare como ele amassa as costelas do barro, repare como ele parece Deus fazendo mulheres.

O enxerimento é a gasolina azul dos mais velhos, prorroga os dias, renova as folhas das folhas do calendário.

Um velho enxerido sente de longe quando se aproxima uma mulher bonita, fica logo aceso, bate as asas, tem a liberdade do cachorro e o tesão do galo.

Toda liberdade do mundo para um velho enxerido. Um velho enxerido tem a beleza de um louco, passagem livre, pode tudo.

Um velho enxerido reinventa a mulher, como se a esculpisse naquele instante, não há feiúra para um velho enxerido, tudo é beleza para este homem.

Lembro de minha vó Meranda, de Merandolina, Merandolina Freire de Lima, minha vó índia, minha vó com a mão na boca, envergonhada, cerimoniosa, diante das loas de seu João, que não deixava uma mulher passar em paz na frente de casa.

Ele ouvia os passos da nega e já começava o repente, "vôte, João, tu não tem jeito mesmo", dizia baixinho Meranda, até as moças ficavam sem graça, mas que gostavam, gostavam. Algumas delas passavam não sei quantas vezes no terreiro e, lembro-me bem, como ficavam tristes quando não mereciam a renovada oração diária, a loa, o capricho, o decassílabo invocado.

Minha vó ficava passada, ruborizava mais ainda quando o velho enxerido se voltava para ela, reza de todas as tardes, e dedicava-lhe versos inéditos, mesmo depois de 50 anos de convivência.

Vôte, João, tu não tem jeito mesmo!

Fazer o quê, Meranda, se o meu amor é novinho em folha?, rebatia ele, arrodeado de cachorros e galos no quintal de casa.





30 de ago de 2010

CATALOGANDO AS D.Rs [DISCUSSÕES DE RELAÇÃO]


D.R. Kurosawa Uma discussão lenta, imagens lindas, arrozais sob montanhas, silêncios que falam coisas, uma peleja quase em ideogramas.

D.R. MPB - Indecifrável e incompreensível como o “zum de besouro ímã” do verso do Djavan. Muita onomatopéia e nem uma idéia os males da D.R. são.

D.R. Erística _ Como na corrente homônima herdada dos gregos, a arte de triunfar no barraco oral mesmo sem ter razão.

D.R. Roberto Carlos - Detalhes tão pequenos de nós dois que você teima em não esquecer.

D.R. punk-rock _ Três acordes e vai cada um pro seu lado, dormir na casa da mãe, de um(a) amigo (a), hotel, flat, amante, homeless...

D.R. Paulo Coelho _ Depois de “Onze minutos” de sexo, o barraco sempre começa com uma parábola bíblica ou uma lenda árabe.

D.R. Bartleby _ “Prefiro não discutir”, diz uma das partes, repetindo o mantra do escriturário do livro homônimo de Melville.

D.R. free-style _ É a discussão rimada, estilo rap, passionais MC´s: “Assim você me afunda/ com esse pé-na-bunda/ com essa insensatez.../ meu barquinho já naufraga/bossa nova é uma praga/veja só que a vida fez!”

D.R. brechtiana _ A arte de enfrentar o público, seja num botequim seja numa festa, com o distanciamento do personagem, como se dissessem do palco, a cada golpe, “não é nada disso que vocês estão pensando, controlem-se”.

D.R. Abaporu ou D.R. arte moderna _ Típica discussão sem pé nem cabeça, que para nenhum dos dois interessa.

D.R. metalingüística _ A D.R. da D.R., tipo roteiro de Kauffman (“Adaptação”, o filme), exercício das cabeças requentadas ou das mentes ressentidas.


ensina ae Serge...



28 de ago de 2010

DA ARTEMISIA ABSINTHIUM E DOS FOGOS, OS FOGOS DE DENTRO


Naquela hora ali, menina, chegaste já bêbada e a casa também parecia incendiada.

Naquela hora ali, menina, a geografia das nossas origens sibilavam mais que os nossos sotaques.

Naquela missa de corpo presente te confessei punhetas anteriores.

Naquela prece, rezamos lentamente pelos supostamente traídos ligados ao nosso mundo, embora não acreditássemos que estávamos traindo quem quer que fosse.

Levius fit patientia*.

Naquela reza de joelhos, o boquete dos deuses.

Naquela minha cerimônia do beija-pés, a descoberta dos teus passos, além do número que calças... ainda guardado na memória.

Naquela tua bucetinha menstruada o segredo de todos os amores e mares vermelhos.

Naquele corpinho, mon amour meu bem ma femme, sem depilar direito.

Naquele mato o segredo, os caminhos, as veredas por onde nos levam os pêlos.

Naquele momento a tua promessa desnecessária: mais na frente uma phoda cheirosa e sem pêlos teremos.

Naquela hora o fósforo riscou os pelinhos da tua buceta, depois que joguei absinto para lambê-la.

*a resignação alivia

(Do Catecismo de devoções, intimidades & pornografias, Editora do Bispo)







27 de ago de 2010

VIDA QUE DÓI, DRINK COWBOY


Doeu a vida nos ossos quando o tempo fechou e Gainsbourg cantava “manon”. O frio quando vem de dentro não há casaco que o amacie. Tive que beber um trago curto e forte.


Vida que dói, vida cowboy.


E lembrei o choro lindo e sincero dela, choro de ontem, ao telefone, e a nossa interminável troca de delicadezas pós-massacre amoroso, como nas peças de Sheppard, motelzinho de beira de estrada e o desânimo dos amantes no espelho quebrado a tiros de 38 e lágrimas.


Uma mulher em soluços faz a terra tremer mil vezes e um coração derreter suas futuras safenas sem lastro e concreto. O tempo fechou, aqueles minutos de desamparo do lusco-fusco nos olhos, como se nada tivesse adiante da neblina, nem mais as curvas perigosas do corpo da rapariga.


Capotei meu coração, como diz o sábio pára-choque, em manhãs, phodas de ladinho & abismo de rosas.




Jolly Boys ensina...

24 de ago de 2010

COM HEMINGWAY NO VELHO CHICO



Uma peça, o cara. A barba já bem delineada e o domínio da arte de pescar surubins –varas de dois metros com meia flexibilidade, anzóis de 4 a 10/0 – não me deixavam dúvida. Tratava-se do velho Ernest Hemingway reencarnado na beira do São Francisco.

Fala curta, direta, mas sempre com um dado escondido, um segredo cofiado na barba e nas entrelinhas.

- É, se morreu nestas circunstâncias, algo ele devia – apontou com os beiços para uma desgraçada criatura de uma agrovila, todo esburacado de bala, calibre de traficante.

Área de plantação de maconha. Mas ele não era de falar nada além disso. Deixa quieto.

Falar mesmo, apenas sobre pesca. Chegara ali, numa ilhota perto de Petrolina e Juazeiro, havia um quarto de século. No mínimo. Quando aportou, cultivava farto bigode preto e cabelos penteados para trás, me contaram. A última parada havia sido o Janga, litoral norte de Pernambuco, arredores de Olinda. Alguns tubarões e mais de 84 horas de espera por um peixe grande, além das mortes banais de jovens, o enxotaram para a beira do velho Chico.

Hoje reclama da falta de dourados, piaus, matrinchãs, mandis, piras, timburés, tucanarés, corvinas...

- Com essa isca ai, cabrón, não vais a lugar nenhum - advertiu, cigarro de palha na boca. – Pega um pedaço de mandi branco ou uma lasca de coração de boi...

Eu tentava em vão capturar uma piranha.

- Com essa tua vara, não chegarás a elas - gracejou, enfiando a mão direita, cujas unhas guardavam terra nas pontas e tinta de fumo por cima, barba adentro.

Fiquei sem graça, amarelo.

O que o velho Ernest não sabia era que pouco importava o resultado da pesca naquela manhã.

- Quer um drinque? – ele perguntou, depois de um gole na boca da garrafa de Caribé.

- Melhor aceitar –soprou Zeca, amigo que havia conhecido durante a pesquisa de “Deserto Feliz”, película de Paulo Caldas, breve neste cinema.

- Muito boa, só um rum cubano chega perto – eu disse.

A provocação com a sua vida passada, senti, não caiu bem. Um cardume de pirapetingas fez a curva no velho rio. O barco mal-assombrou-se em águas plácidas. P


o resto o Trénet, canta...




23 de ago de 2010

UM FEIRANTE NA VIDA DE UMA MULHER




Nada melhor que uma mulher que acabou de chegar da feira.

Sacola na mão, fome de viver, sorriso de princesa.

Os vendedores de frutas, peixes e verduras são mestres na arte de reconhecer talentos e animar as moças com os seus adjetivos. Adjetivos às pencas, elogios às dúzias, mimos, dizeres, samba exaltação, graças.

Meia hora de uma mulher na feira vale mais do que um mês de análise, do que a onda de orientalismos tantos do mercado, do que a yoga, do que o mestre japonês das agulhas, do que uma banheira de sais, do que um dia na Oscar Freire...

Nem mesmo quando as mulheres estão acompanhadas, os feirantes dão sossego. Esperam você, jovem mancebo, se distanciar um pouco, dois, três passos, e tome gracejos e flertes à baciada.

''Olha a manga, gostosa!'', bradam, administrando com malícia a vírgula e o duplo sentido na ponta da língua.

Ovo e uva boa!”, arriscam para as elegantes damas de preto.

Essa é modelo!”, capricham para as gazelas saltitantes. “Gisele!”

''Se eu fosse um peixe, eu seria um namorado!”.

É a boa guerra dos mascates. Eles vão no ponto, exatos como neurocirurgiões do desejo. Sabem de longe, por exemplo, quando uma mulher tem alguma encrenca com a idade. Em um segundo, sapecam um tratamento carinhoso: ''Pra mulher nova, bonita e carinhosa, eu não vendo... eu me dou todinho!” E mais: “Só vendo pra menores de 18 acompanhada pelos pais”.

Em dias de chuva, mandam ver de acordo com o meteorologista: ''Essa é enxuta até debaixo d'água'', alardeiam.

Um bom feirante reduz até os efeitos de uma TPM, de uma dívida nunca paga, de uma culpa que corrói o juízo, de um regime ainda sem resultados _elas ainda não sabem que uma polegada a mais, uma a menos, pouco importa para quem tem gosto de fato por mulher.

Nada como incentivar o caminho da feira mais próxima da sua casa para as mulheres.

No Ceasa, então, os adjetivos saem a grosso e a varejo, na bacia ou nos caixotes.

Os feirantes não mentem jamais. Eles sabem, mais do que ninguém, que em toda mulher, seja quem for, existe um traço ou um aspecto de beleza.

Afinal de contas, mulher é metonímia, parte pelo todo, você passa a apreciá-la por uma boca, um pé, uma orelha, uma mão, uma omoplata, um belo ilíaco ressaltado, uma saboneteira, uma marca sulcada de vacina, um corte no joelhinho esquerdo, uma cicatriz de artes de infância, uma bela bunda faceira, uma falsa magra, um umbiguinho do mundo, aquele tom cinza dos cotovelos da espera...

Na passarela dos feirantes, a insegurança feminina, mesmo naqueles dias em que o cabelo acorda brigando com as leis do cosmo, dissolve-se em segundos, num suspiro, na velocidade de um pastel, na ligeireza de um caldo-de-cana.




*do meu best-seller-mor, meu harry potter, meu livro "modos de macho & modinhas de fêmea" [ed.record]

19 de ago de 2010

A PELEJA DA MULHER x A DANADA


- Ou ela ou eu – disse Germana, toda metida no seu vestidinho de palha, no seu Ronaldo Fraga de bananeira.
O pobre do cachaceiro ficou passado, perplexo no seu zarolhismo a 45º de graduação alcoólica.
Arrastá-lo dos bares era um serviço humanitário tão comum à patroa quanto lavar roupa suja ou discutir a relação envelhecida em barris de estrago.
Mas naquele dia tudo seria diferente. Deparou-se logo com a birra da empalhada, que reivindicava, no mínimo, mais gratidão do cachaceiro a quem tanto manguaçara.
- Ou ela ou eu - disse de novo, botando fogo pelas ventas.
Sem permitir a réplica feminina, incendiou mais ainda o ambiente, a Mercearia São Pedro, diga-se, ali no alto da vila Madalena:
- Cansei de te derrubar em colo de vagabunda...
Embora muito educada, uma fofa, a patroa não suportou a humilhação:
- Você está acabando com a vida desse infeliz... Repare só o farrapo humano que virou.
- Ah, minha santa, a graça desse bofe sou eu, Bovary ces´t moi. Dou-lhe verve, ânimo, o luxo da coragem, mato-lhe a timidez e os assombros...
- Desalmada, destruidora de lares, você acaba com o que sobra desse infeliz...
Marquinhos abaixa o portão de ferro.
E a peleja continua:
- O que acaba com essa criatura é a tua rabugice, a tua carranca, já te viste no espelho quando acordas? Que cabelo é aquele, dona?
- Pois saiba que esse desalmado acorda te maldizendo, numa ressaca miserável, sempre como aquele corvo, never more, never more, never more...
- Quando se recompõe volta aos meus caprichos... É um doente por mim, queres devoção maior?
- Eu sou a cura...
- Tu és mesmo um banho frio, sem alma, bálsamo chinfrim... És tão sólida na vida dele quanto um Sonrisal...
- És a ruína desse infeliz...
- Apenas não desejo que ele morra cheio de saúde... Já pensou que triste?
- Cínica.
- Gorda.
- Invejosa, enquanto dás a queda eu dou um colo macio e reconfortante...
- Se ele erra o prumo de casa é por conta da tua feiúra...
- Mas nunca errou o buraco da fechadura...
As duas se engalfinham. A mercearia vem abaixo. Marquinhos levanta o portão de ferro. O sol por testemunha de mais uma peleja entre a mulher e a cachaça. Ah, por isso que eu não quero que me faltem essas danadas. Tão passionais, tão iguais, tão donas das nossas quedas e baques.


* na fitinha a Elizeth canta o resto...






18 de ago de 2010

PELA VOLTA DO CAFUNÉ


Dos dengos feimininos, ou historicamente femininos, o que mais nos faz falta é o cafune.


Nos dias avexados de hoje, não há mais tempo nem devoção para os delicados estalinhos no cocuruto do mancebo.


Pela volta imediata do mais nobre dos gestos de carinho e delicadeza. Nem que seja pago, como o sexo das belas raparigas dos lupanares, mas que devolvam às nossas cabeças.


Pela criação imediata da Casa Dos Cafunés Gilberto Freyre, como me propõe, em sociedade, a amiga Maria Eduarda Belém. Ótima idéia a ser espalhada pelo país. Milhares de casas, guichês, varandas, redes debaixo de coqueiros, sofás na rua... Tudo a serviço dos breves e deliciosos estalinhos dos dedos das moças.


Gilberto Freyre era um entusiasta do cafuné e ele dedicou páginas e páginas. GF, aliás escrevia como quem dá cafuné, prosa mole, ritmo dos mais sensoriais. Como também assenta palavras outro Freire, sem o estilingue do Y, o Marcelino de Contos Negreiros.


Que machos & fêmeas sejam treinados, em um programa social de emergência, para reaprenderem o habito do cafuné.


Melhor; Que seja feita uma campanha de saúde pública. Ah, quantas doenças de fundo nervoso seriam evitadas, quantos barracos de casais seriam esquecidos, quantos juízos agoniados seriam libertos!


Sem falar no erotismo que desperta o dengo, como anotou outro sociólogo, o francês Roger Bastide, no seu belo ensaio “Psicanálise do Cafuné”. Pura libido.


Delicia de se sentir, beleza de se ver. O Cafiuné de uma mulher em outra, ave palavra! Puro cinema, para muito além do lesbian chic.


Como era comum, na leseira do fim de tarde, nos quintais e nas calçadas.


Ao luar, então, sertões e agrestes adentro, era puro filme de Kurosawa. O resto era silêncio.


Ai que preguiça danada, ai que arrepio no cangote, quero de volta meus cafunés.


Viver de brisa, como na receita de Bandeira, numa rede da Rua Aurora, sob a graça dos dedos de uma morena jambo, ou de uma morena caldo de feijão.


Como pode uma criatura, como esses rapazes de hoje, passar pela vida sem provar do êxtase de um cafuné?


Pela obrigatoriedade do cafuné nos recreios escolares, nas missas, nos cultos, nos intervalos dos jogos de qualquer esporte.


Não é possível que se condene toda uma geração a viver sem cafuné. Eis uma questão de segurança nacional. Tão importante como aprender a assinar o próprio nome. O cafuné, aliás, é a assinatura em linda e barroca caligrafia de mulher.



Texto de Chabadabadá, página 106/107.

12 de ago de 2010

A Arte do Buraco da Porta...


(...) Sim, a grande arte de brechar. Ou como quer o dicionário, o vício de espreitar, espionar, observar(...) Brechar é olhar além das lunetas e das janelas indiscretas. É aproveitaar as frestas minimas da existencia, é o alumbramento quem vem aos olhos naquele banheiro de palha dos quintais das antigas, a moça nuinha de tudo, a primeira visão de Manuel Bandeira, lembra?

Brechar não se trata de espiar a vulgaridade devagar, baixaria slow, do Big Brother.

A arte da Brecha é sofisticada.



O texto MUITO ALÉM DAQUELA FRESTA remete o leitor a uma série de lembranças, referências e outras paradas do universo dos brecheiros, os vouyers (como queiram) e nos encantos dessa condição. Mas serve também para refletir a arte de observar e, em como isso está presente em outras coisas que nos apetece.


No cinema por exemplo; Xico Sá cita no texto, O OLHO MÁGICO DO AMOR, película de 1981, onde tudo se dá através de um buraco na parede. Toda a ação! E o que é o cinema, senão esse buraquinho na parede da imaginação? Tania Alves mostra ae como é isso...






5 de ago de 2010

Waldick e as canções de neon...

"VOCÊ NÃO É CACHORRO NÃO, MAS EU SOU WALDICK SIM, COM MUITO ORGULHO

Morreu, digo, partiu desta para uma melhor, o cantor e compositor Waldick Soriano, o nosso Johnny Cash baiano, como diz o escriba e amigo Zé Teles. A imagem que fica é o seu chapéu preto voando em uma noite fria de São Paulo, mas precisamente na porta do cabaré do viejo Charles Bronson, ali na rua Avanhandava.


Foi a última vez que estive com o ídolo, finalzinho do ano passado. Inesquecível a conversa molhada por duplos uiscões inspiradores.


Nós, cuja educação sentimental, aí incluindo os bons pares de chifres, devemos a WS, o homenageamos com esta crônica que segue, e que a terra e todas as dores de amores lhe s sejam leves... No cinquentário da bossa-nova, sinto muito pelos bons modos jazzisticos que tanto agradaram a classe média do sr. João Gilberto, mas ninguém me disse mais coisas do que esse homem que cantava Dostoievski para as putas e para as nossas mães ao mesmo tempo:


Hoje que a noite está calma/ E que minha alma esperava por ti/Apareceste afinal/ Torturando este ser que te adora...”


Cuba libre e uma canção de Waldick Soriano, quem há de resistir?


Texto cheio de emoção, quando da morte do mestre. Tinha que ser e que não ousem fazer diferente! Afinal de contas, falamos do senhor Waldick Soriano. Grande Waldick!

Baiano, oriundo do longinquo, Brejo Das Ametistas, Waldick vem para o sul maravilha para entrar para história da musica popular brasileira (Popular, de povo mesmo. Sem estereótipos e afins...) e para marcar história de muitos corações e seus amores prováveis, improvavéis e incalculáveis. Se for desmedida a paixão melhor ainda!

Intérprete de hinos das paixões violentas, tais como CARTA DE AMOR, VESTIDA DE BRANCO, PERFUME DE GARDENIA... Sabedor das coisas de eros como provado em O CONFORMADO e FUJO DE TI... Waldick, se consolidou como uma autoridade nos assuntos de macho, amante, sabedor das cousas da noite, conhecedor emérito, das alcovas das boates de neon colorido.

Ninguém cantou a vida dessa gente, como Waldick. Em CHABADABADÁ, Xico Sá dedica um texto ao mestre com TORTURA DE AMOR, OU TOQUE OUTRA VEZ WALDICK:

Falar no homem, essa mesma “Tortura de Amor” com o grupo português “Clã” é coisa d'além mar. Pense num dor de corno com acento de fado e melancolia à moda do Porto...”

Então, vamos conhecer isso, em uma interpretação antológica de Waldick em um especial para a Tv Diária do Ceará. Classicaaaa!!!






4 de ago de 2010

Xico Sá em Noticias Mtv; O palavrão nos tempos do politicamente correto...




Noticias Mtv com Xico Sá, toma ares daqueles antigos e ótimos noticiários, as revistas eletrônicas, que foram responsáveis pelo dinamismo do jornalismo televiso no Brasil. Muito disso vem com a abertura politica que aconteceu no Brasil a partir de 1985, antes até, com programas como Abertura 81, na saudosa tv Tupi, que trazia entre outros, Glauber Rocha, falando do cotidiano social nacional do momento.

Hoje, José Nêumame Pinto, Carlos Chagas e nosso amigo Xico Sá seguem dandos as caras nesse interím. Confiram nesse programa, comentário de Xico, acerca do uso do palavrão nos meios de comunicação e no dia a dia do nosso Brasil Brazuca...

1 de ago de 2010

Das Canções que Ele Cantou Pra Nós...


Em DO ORGULHO MACHO DO SR. DETALHES Xico cita uma canção do emérito Rei em mais um texto seu...










Ma claro que numa obra de macho, cabra arretado, valente, do tipo “eu-espremo-limão-nozóio-só-pra-sentir-o-ardor..” não poderia faltar o senhor Roberto Carlos Braga. São várias as fases do Rei.

Tem a fase “rockinhos” nos anos 60 quando o rei conhece seu igual Erasmo Carlos e este, passa a traduzir o que ficou conhecido aqui como iê-iê-iê... As letras dos protossauricos rocks que surgiam na América no final dos 50. No final dos anos 60, por influência do genial cabra safado-mor TIM MAIA, o rei Roberto flerta com a Soul Music e lança clássicos como NÃO VOU FICAR e COMO 2 e 2 entre outros. Mas a década seguinte é a que nos apetece...

Os anos 70 do Rei são ímpares. Primeiro pela definição de sua banda, a lendária RC 9, que contava com nomes como Raul de Souza, Wilson Das Neves, Wanderlei e mais uma pleia de feras. Segundo pelo trabalho com o grandeeeeeeeeeeeee Macho Jurubeba, o maestro CHIQUINHO DE MORAIS. Terceiro, pela linha, pelo rumo que toma seu trabalho.

Roberto, passa a cantar os amores, dissabores, paixões, galhos e mais outros “ornamentos” que regem a maravilhosa aventura humana da relação macho/fêmea. A fase dos neons do Rei, ficou marcada por hinos como CAVALGADA, ROTINA, AS FLORES DO JARDIM, AMADA AMANTE, DETALHES, COMO VAI VOCÊ, OS BOTÕES DA BLUSA, O PORTÃO e várias que adiante, figurarão aqui. Mas como Xico diz no texto:

"(...)Eu prefiro O DIVÃ, aquela das recordações que me matam. Espécie de biografia de todos nós, esses moços pobres interioranos, dos Cachoeiros dos Itapemirins, das Guaratinguetás, dos Cratos, das Santanas, e dos São Joões dos Cariris."


Vamos ouvir a dita canção clicando na fitinha ae embaixo...